Produto foi encontrado em reservatório secundário na cidade de Morada Nova de Minas
Cássia Eponine e Bruno Porto - Repórteres (*) - 1/09/2010 - 09:37
A
Orteng comunicou à Agência Nacional de Petróleo (ANP) ter encontrado gás natural no bloco exploratório SF-T-132, na Bacia do São Francisco. É a primeira descoberta na região, em área licitada pela ANP na 7ª Rodada de Licitações, em 2005. Só na próxima semana a empresa deverá saber se o poço é viável comercialmente ou não.
O gás foi encontrado em um reservatório secundário, a 1.440 metros de profundidade, em Morada Nova de Minas. As perfurações continuam nos próximos 20 dias, quando a empresa deve chegar ao reservatório principal, a 2.480 metros de profundidade.
A Orteng é sócia da Codemig, Imetame Energia e Delp Engenharia no projeto. Ainda sem grande atividade exploratória, a Bacia do São Francisco é considerada de grande potencial para descobertas de gás natural. A descoberta foi feita no poço 1ORT1MG.
Segundo o diretor de Óleo e Gás da Orteng, Frederico Macedo, a equipe técnica da empresa ainda está analisando os resultados dos testes já realizados. “A análise relativa ao volume e à vazão pode sair na segunda-feira, mas também é possível que tenhamos de fazer testes complementares para saber se o reservatório é comercial ou não. Acredito que seja”, afirmou Macedo, relatando que houve queima de gás na superfície durante o teste de formação.
Em 20 dias, a empresa deve chegar ao reservatório principal, onde os estudos preliminares apontaram maior probabilidade de gás em grande volume. O consórcio já investiu R$ 10 milhões em Morada Nova de Minas e deve investir outros R$ 11 milhões ainda nesse poço.
Somente após os resultados dos testes de viabilidade econômica, a Orteng e demais consorciadas devem definir o cronograma de perfuração de outros poços no mesmo bloco ou nos dois outros que arrematou. Ainda não há uma previsão de quando começa a exploração comercial.
O prefeito de Morada Nova, Alexsander da Silva Rocha, avaliou que o município vai passar por um novo ciclo de desenvolvimento caso se confirme a viabilidade comercial do gás natural encontrado. Ele reconhece que o município ainda carece de investimentos, especialmente em qualificação da mão de obra. Nesse sentido, já foi fechada uma parceria com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae-MG), e estão em andamento conversas com o Governo estadual.
A cidade tem hoje sua economia concentrada na agricultura e na piscicultura, e a Prefeitura tem um orçamento anual que gira em torno de R$ 25 milhões. Embora acredite em um salto significativo na arrecadação, especialmente com recolhimento de royalties, o prefeito preferiu não fazer projeções quanto ao aumento do orçamento, uma vez que ainda não se sabe o potencial da jazida.
O comércio local e o segmento de prestação de serviços já percebe maior dinamismo nas atividades desde o início dos trabalhos da empresa na cidade. “A movimentação nos hotéis e pousadas cresceu muito, e a perspectiva é que se mantenha aquecido”, observou Rocha.
A instalação de indústrias na região também é uma possibilidade que o prefeito considera. Em substituição ao óleo, o gás natural, em alguns casos, aumenta a produtividade das empresas e reduz custos. Empreendimentos próximos ao local da extração dependem menos da construção de uma logística de distribuição do gás, e o prefeito aposta nesse diferencial. “É uma chance de diversificar nossa economia. Temos um plano estratégico de desenvolvimento que já previa essa possibilidade”, disse. (Com agências)
Município pode ter 1% de royalties
Caso se confirme a viabilidade da exploração de gás em Morada Nova de Minas, o município terá direito a royalties equivalentes a 1% do total de gás retirado para comercialização. O Estado receberá outros 4%, de acordo com a legislação em vigor. Se houver queima de gás durante o processo de exploração, esse gás também é contabilizado para o cálculo dos chamados royalties compensatórios.
Há, ainda, a possibilidade de pagamento de royalties sobre o excedente da produção, conforme previsto no edital de licitação, caso o volume de gás exceda o mínimo previsto em edital. “Nesse caso, o percentual é definido em edital e pode chegar a 10% do total produzido”, explica o advogado especializado em petróleo e gás, Cláudio Araújo Pinho.
Após os 5% de royalties compensatórios, o restante é divido entre Estado (52,5%), município onde ocorreu a produção (15%), municípios afetados pela operação de embarque e desembarque de gás natural (7,5%) e Ministério da Ciência e Tecnologia (25%). A descoberta de gás em Morada Nova pode dar novo ânimo à segunda etapa exploratória dos blocos de concessão de gás natural na Bacia do São Francisco, em Minas Gerais, licitados em 2005.
A 16 meses para o fim da etapa, o número de poços que será perfurado caiu a menos da metade. De um total de 27 poços previstos para essa fase, que teve início em janeiro deste ano, apenas 11 estão confirmados junto à Agência Nacional do Petróleo (ANP), responsável pela fiscalização dos contratos de concessão. A reta final do período de concessão dos blocos vendidos na 7ª Rodada de leilões da ANP coincide com a transferência de titularidade da maioria dos contratos.
A redução do número de poços foi resultado das conclusões dos estudos geofísicos e de sísmica realizados na região pelos concessionários dos blocos durante a primeira fase exploratória, que teve início em janeiro de 2006 e durou quatro anos.
Os contratos preveem que, após a primeira etapa - restrita a estudos de superfície -, ao menos um poço exploratório seja perfurado. Apenas o poço pode confirmar se há reservas de gás natural ou petróleo em escala comercial. A expectativa é de que a Bacia do São Francisco tenha gás, pois o combustível emana na superfície em algumas regiões, como no Remanso do Fogo.
A meta de perfuração de ao menos um poço, porém, pode ser flexibilizada pela ANP se os estudos preliminares dos concessionários não encorajarem os investimentos desta etapa. Um furo com 2.500 metros de profundidade na região, por exemplo, pode demandar R$ 11 milhões.
Mas o investimento necessário pode ser ainda maior, pois o fato de se encontrar gás em um poço não garante que haja volume suficiente para a confirmação da comercialidade da jazida, o que pode exigir novas perfurações. Há ainda o risco de não se encontrar o hidrocarboneto.
O mapa da Bacia do São Francisco nesta segunda etapa prevê dois poços da Petrobras, em João Pinheiro e Brasilândia de Minas, no Noroeste do Estado. A estatal arrematou seis blocos em 2005, mediante o pagamento de um bônus de assinatura de R$ 9,7 milhões, mas devolveu dois à União no início da segunda etapa, por não considerá-los atraentes. Dos quatro blocos restantes, apenas dois serão alvo de perfuração.
A maior alteração nos planos de exploração da 7ª Rodada
(big round) aconteceu nos blocos arrematados pela argentina Oil M&S. A empresa pagou R$ 220 mil pelos direitos de exploração em 22 blocos na Bacia do São Francisco, mas transferiu a titularidade para a Petra Energia, da holding STR, do empresário Roberto Viana Batista Júnior, de Pernambuco. Na passagem para a segunda etapa, um dos blocos foi devolvido à ANP.
.