Ana Lúcia Gonçalves - Da Sucursal do Leste de Minas - 20/09/2010 - 12:10
Os bombeiros chegaram ao local às 4h30 e até o final da manhã ainda não haviam conseguido controlar as chamas alimentadas pela vegetação seca e o vento forte que direciona o fogo para uma área com remanescentes de Mata Atlântica.
Cerca de 100 hectares já foram consumidos. “Estamos pedindo reforço. A situação parece incontrolável. Está ventando muito”, disse o capitão Washington Goulart do Nascimento, por celular, de uma área onde só brigadistas conseguem chegar. O local do incêndio é montanhoso e de difícil acesso.
A água utilizada no combate está sendo levada em bombas costais e como acaba rapidamente, os bombeiros usam abafadores para impedir que o fogo avance. Aves e pequenos mamíferos estão sendo encontrados na área queimada. O rebanho de pequenos proprietários de terras no Pico foi retirado antes de ser atingido.
O rastro de destruição deixado pelo fogo na Área de Proteção Ambiental (APA) pode ser visto da cidade, que amanheceu coberta pela fuligem, acinzentada. Por causa do horário que o fogo começou, os bombeiros acreditam que tenha sido provocado intencionalmente e, por isso, seja criminoso. A suspeita é de que tenha começado próximo à estrada sem calçamento, conhecida por “Estrada da Embratel”. No local há abundância de aroeiras secas que dão ao lugar ares de cerrado.
Vinte e cinco homens do Corpo de Bombeiros trabalham no combate ao incêndio, mas outros 20 que são do setor administrativo ou estavam de folga vão se juntar ao grupo. Os brigadistas - grupo formado por moradores do Pico da Ibituruna que tem 130 chácaras, sítios e outros empreendimentos como pousadas e um clube -, reforçarão o grupo de combate.
Apesar disso não há previsão para o término dos trabalhos. “Só vamos saber quanto queimou depois que apagar tudo, mas acredito que a área devastada já seja correspondente a uns cem campos de futebol (cem hectares)”, informou o capitão.
Pico da Ibituruna
O Pico da Ibituruna é o maior patrimônio natural paisagístico de Governador Valadares. Ele ocupa área de 6.423 hectares e possui remanescentes da Mata Atlântica com flora e fauna diversificadas. Embaúbas, cedros, copaíbas, jacarandás, palmitos doce, ipês roxo, amarelo, rosa e quaresmeiras garantem o colorido que dura o ano inteiro, faça chuva ou sol.
Animais nativos como pacas, capivaras, cutias, jaguatiricas e aves como o beija-flor, sabiá sanhaço, pica-pau, saíra, inhambu, jacu, tico-tico, alma-de-gato, maitaca, cidinha, tuim, pintassilgo são moradores ilustres do lugar, cartão postal eleito a primeira das sete maravilhas da cidade. No Pico, a 1.123 metros de altitude, estão duas rampas que deram à cidade o título de “Capital Mundial do Vôo Livre”.
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